
A tragédia para Aristóteles era a catarse, uma espécie de remédio para alma, o Estagirita observava-a como o destino dos grandes. A queda e os infortúnios da vida não eram para autocomiseração ou piedade alheia. A tragédia é para os fortes, os vivos ou pelo menos os que têm coragem para viver. A tragédia grega exaltava o homem que sabia sofrer e o fazia com dignidade, não há culpa para a perseguição fatalista do destino. Há apenas que reconhecer as leis estabelecidas pelos cosmos, pronto para sacudir o ser cognoscente. A tragédia hoje pensa de outro ponto de vista, diz-se das atrocidades que o sujeito comete. Não há mais um herói e sim um vilão e uma vitima, o primeiro carrega a culpa o segundo a marca da autocomiseração e da misericórdia. Talvez não haja mais tragédia, pelo menos não em seu sentido original. Direcionando para nosso texto, vemos vítimas para se reconstruir, não há um espelho para o herói se guiar, mas uma vida a recomeçar dadas as dificuldades que se ocasionam do fato. Desconfiança do outro, exclusão social, e por vezes perseguições, uma premissa fundamentado no preconceito. Será que nossos protagonistas têm ciência da saga dos heróis, dos grandes homens, como algo digno a se apegar. Caso este referencial não seja possível terão que recriar o trágico deste acontecimento envolto em causas, efeitos e consequências do desagradável como um palco perfeito para o sofredor inabalável. Se assim não for, como nas verdadeiras tragédias. Fatalmente sucumbiremos.
REFERÊNCIAS
Aristóteles, Os Pensadores.
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